3 - O Investimento Direto Estrangeiro no Brasil e na Irlanda em 2002

3.1 - No Brasil

Desde 1996, verifica-se uma crescente predominância do investimento estrangeiro direto sobre as demais categorias de inversões estrangeiras no Brasil. Isso se deveu à estabilização econômica (após o Plano Real) e às reformas estruturais associadas à privatização, que foram amparadas por diversos instrumentos legais, como a Emenda Constitucional nº 08, de 15/08/95, que eliminou o monopólio estatal sobre os serviços de telecomunicações; a Lei 9.472, de 16/07/97, que regulamentou as concessões desses serviços; e, a Lei 9.491, de 09/09/97, que suprimiu os limites de participação do capital estrangeiro em empresas privatizadas.

O fluxo de investimento estrangeiro direto visando as privatizações (US$ 29,6 bilhões) correspondeu a um quarto (1/4) do total do investimento estrangeiro direto líquido (US$ 112,6 bilhões), entre 1996 e 2000.

Em 2001, os investimentos estrangeiros diretos líquidos somaram US$ 22,5 bilhões, mas caíram para US$ 16,6 bilhões em 2002 (Tabela 2). Dentre as principais causas da retração, estão a reversão dos empréstimos intercompanhias e o relativo esgotamento do processo de privatização. Em 2002, os empréstimos intercompanhias registraram saídas líquidas de US$ 528 milhões (ante ingressos líquidos de US$ 3,7 bilhões, em 2001) e houve apenas uma operação de privatização, no montante de U$280 milhões, destinada ao Sistema Telebrás.
 

Tabela 2 - Brasil: recepção do fluxo de investimentos diretos estrangeiros(em US$ milhões)

DISCRIMINAÇÃO

2001

2002

Total

22. 457

16. 566

Ingressos

30. 017

26. 436

Saídas

7. 559

9. 870

Participação no capital

18. 756

17. 094

Ingressos

21. 093

18. 936

Privatizações

1. 079

280

Saídas

2. 328

1. 842

Empréstimos intercompanhias

3. 692

- 528

Ingressos

8. 924

7. 500

Saídas

5. 232

8. 028

Fonte: Banco Central do Brasil, Relatório Anual de 2002 .

3.2 - Na Irlanda

A Irlanda possui uma instituição específica para atrair o investimento direto estrangeiro, que é o Industrial Development Agency Ireland - IDA, fundado em 1994. O IDA, tendo como base o incentivo fiscal da redução da alíquota do imposto de renda para 10%, promove a instalação de empresas que operam nos mercados internacionais nos serviços financeiros especializados, através do The International Financial Services Center – IFSC, que é um local em Dublin.

De modo geral, as principais causas da atração do investimento externo estrangeiro pela Irlanda são o acesso ao mercado da União Européia, o suporte governamental, a mão-de-obra altamente qualificada e anglófona, um ambiente operacional competitivo e a mais baixa alíquota do imposto sobre a renda de pessoa jurídica da União Européia (12,5%).

Os investimentos externos foram principalmente direcionados às exportações, em especial para as de produtos de alta tecnologia. A Irlanda produz um terço dos microcomputadores vendidos na Europa e é o segundo maior exportador de programas de computador do mundo.

As empresas estrangeiras lideram a economia irlandesa. Elas respondem por 35% do PIB, por 80% das exportações de produtos manufaturados, e pelas maiores participações na arrecadação tributária. Mas o domínio do setor exportador pelas multinacionais e a conseqüente repatriação dos lucros dessas empresas acarretam um significante e persistente hiato entre o PNB e o PIB irlandês.

Na composição do PIB irlandês o maior peso cabe à indústria, onde destacam-se dois modernos setores, altamente capitalizados e competitivos: farmácia e química. Operam na Irlanda nove das dez maiores multinacionais da indústria farmacêutica e doze das trinta maiores da indústria química. Estas transnacionais dominam a produção e o emprego nesses setores.

Segundo a UNCTAD, em 2002 a recepção do investimento direto pela Irlanda subiu para US 19 bilhões, crescendo mais de um quinto em relação a 2001, quando alcançou US$ 15,7 bilhões. Esse comportamento expansionista contrasta com o comportamento do investimento direto irlandês no exterior que, em 2002, com apenas US 2,7 bilhões, atingiu o mais baixo nível desde 1997, tendo registrado US 5,8 bilhões em 2001.

Mas, segundo a fonte interna oficial de dados - o Central Statistics Office (CSO) -, tal queda foi menos acentuada, pois os investimentos em empresas estrangeiras pelos investidores irlandeses somaram 3,3 bilhões de euros, em 2002, contra 4,5 bilhões de euros, em 2001.

Também segundo o CSO, o investimento recepcionado pela Irlanda originou-se basicamente da Holanda e dos Estados Unidos, sendo a principal modalidade o reinvestimento, o que traduz a lucratividade de se ter negócio na Irlanda. Vale notar que muitos dos investimentos estadunidenses destinados à Irlanda procedem de subsidiárias americanas localizadas na Holanda.

De outra parte, a compra de ações de empresas da União Européia (particularmente da Alemanha) e dos Estados Unidos foi o principal destino dos capitais irlandeses aplicados no exterior.