Carga Fiscal 1999 - Arrecadação Tributária

 

O esforço conjugado das administrações tributárias das três esferas de governo resultou em um total de R$306,26 bilhões de arrecadação para os cofres públicos. A distribuição dessa arrecadação segundo a competência administrativa de cada nível governamental é apresentada no Quadro 03.

QUADRO 03

CARGA TRIBUTÁRIA BRUTA - 1999

ESFERA ADMINISTRATIVA

RECEITA TRIBUTÁRIA BRUTA

R$ Milhões

% da CTB

% do PIB

UNIÃO

215.915,12

70,50

21,38

ESTADOS

78.185,42

25,53

7,74

MUNICÍPIOS

12.157,34

3,97

1,20

TOTAL

306.257,88

100,00

30,32

Também estão computados nesse total as contribuições para o FGTS e para o Sistema S.

A União mantém a posição de principal receptor de tributos, recolhendo cerca de 70% das receitas totais. É interessante notar que, em função do desempenho excepcional da arrecadação da COFINS, o governo federal detém a maior participação na receita tributária total desde a implementação do Plano Real (1994).

No cômputo global, o fluxo dos ingressos derivados de tributos e contribuições cresceu 13,8%, em termos nominais, e 2,2%, em termos reais. O Quadro 04 desdobra, por unidade administrativa, o comportamento real e nominal dos valores arrecadados em 1998 e 1999. Como pode ser observado, somente a União logrou obter variação real positiva na arrecadação. Mais ainda, tal crescimento foi ancorado, principalmente, no resultado obtido pela RFB (+ 10,48%).

QUADRO – 04

COMPORTAMENTO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS: 1999/1998

RECEITA

% CTB

Variação Nominal (%)

Variação Real (%)

UNIÃO

70,51

15,73

3,95

- Administrada pela RFB

47,49

23,01

10,48

- Administrada pelo INSS

16,56

3,33

(7,20)

- CEF (FGTS)

5,68

3,73

(6,83)

- MEC (Salário-Educação)

0,77

(4,34)

(14,08)

ESTADOS

25,52

10,08

(1,13)

- ICMS

22,17

11,50

0,14

- Demais

1,46

0,67

(9,59)

MUNICÍPIOS

3,97

5,76

(5,01)

TOTAL

100,00

13,82

2,22

1/ Variação real calculada com base no deflator implícito do PIB.

Outra fonte significativa de receita para a União, as Contribuições à Previdência Social (administrada pelo INSS), apresentou variação negativa de 7,2% em relação a 1998. Basicamente, essa contribuição é calculada sobre a folha de salários, devendo, portanto, apresentar uma forte correlação com os indicadores do mercado de trabalho. Consistentemente, o nível da massa salarial dos trabalhadores com carteira assinada (emprego formal) caiu 7%, sendo que cerca de 94% dos empregos criados no ano destinaram-se ao mercado informal (sem carteira assinada). As contribuições à Previdência Social originárias do setor agropecuário, a despeito do bom desempenho deste setor em 1999, apresentaram uma queda de cerca de 13%.

A receita tributária das unidades federadas apresentaram variação nominal de +10,08% e variação real de –1,13%, como resultado de uma relativa estabilidade da arrecadação do ICMS (+0,14%) e uma retração das demais receitas estaduais (-5,01%). O comportamento da arrecadação do ICMS, que se caracteriza como um imposto sobre o consumo, apresenta-se condizente com o cenário observado de demanda agregada retraída. A arrecadação municipal também compartilha a mesma tendência, embora a defasagem de informações para esse nível de governo implique o uso de estimativas de arrecadação e, portanto, aumente a margem de erro dos valores aqui apresentados.

Pode-se verificar, com base na Tabela IV do anexo, que, em 1999, o governo federal logrou obter a maior participação relativa na carga tributária bruta nos últimos anos, tanto antes como depois das transferências constitucionais. Esse fato é reflexo do crescimento da arrecadação do governo federal, em contrapartida com a redução de arrecadação das outras esferas de governo, e de esse aumento fundar-se em arrecadação de contribuições, as quais não se sujeitam às regras de repartição intergovernamental.