Os investimentos estrangeiros podem ser efetuados sob a forma de investimentos diretos ou de investimentos em carteira.
O investimento direto é constituído quando o investidor detém 10% ou mais das ações ordinárias ou do direito a voto numa empresa; e considera-se como investimento em carteira quando ele for inferior a 10%.
O investimento direto está divido em duas modalidades: participação no capital e empréstimos intercompanhias.
A participação no capital compreende os ingressos de recursos de bens, moeda e as conversões externas em investimento estrangeiro direto, incluindo os valores destinados ao programa de privatizações, relacionados com a aquisição/subscrição/aumento de capital, total ou parcial do capital social de empresas residentes.
Os empréstimos intercompanhias compreendem os créditos concedidos pelas matrizes, sediadas no exterior, a suas subsidiárias ou filiais estabelecidas no país.
O investimento direto difere do intercâmbio de bens e serviços por vários fatores. Primeiro, não tem liquidez imediata (pagamento à vista) ou diferida (crédito comercial). Segundo, tem uma dimensão intertemporal, pois os investimentos são seguidos pelos fluxos de produção, venda e lucros, com um certo atraso. Terceiro, implica em transferências de direitos patrimoniais. Quarto, decorre de uma estratégia que resulta do processo da empresa tentar antecipar a ação de suas concorrentes.
Entre os objetivos das empresas investidoras, destacam-se os seguintes: recuperar os custos fixos associados às mudanças tecnológicas, capturar parcela do mercado e participar do processo de abertura dos oligopólios nacionais.
As estruturas oligopolistas e as barreiras à entrada deixam poucas opções às empresas dos países em desenvolvimento para ter acesso a um mercado maior e cobrir algumas distâncias do seu atraso tecnológico a não ser transferindo parte do seu capital para as empresas estrangeiras.
O investimento direto estrangeiro parece ser mais resistente do que o investimento em carteira às crises financeiras nos países receptores, pois resulta de decisões de longo prazo, não sendo, por isso, afetado pela conjuntura de curto prazo. Em determinados casos, uma queda no preço das ações combinada com a desvalorização cambial pode até atrair o investimento direto estrangeiro.
Os ativos externos detidos por residentes nos paises em desenvolvimento estão subestimados nas estatísticas desses países porque os investidores procuram burlar as fiscalizações do fluxo de capital, da taxa cambial e do pesado encargo do imposto sobre a renda. O México, por exemplo, reportou um fluxo de IDE para os Estados Unidos de US$ 1,0 bilhão em 2000, enquanto que pelas estatísticas dos Estados Unidos tais ingressos alcançaram US$ 5,3 bilhões. E países como a Malásia nem mesmo registram esses ativos nas suas estatísticas da balança de pagamentos.
A ausência de padrões contábeis, a má fiscalização e as diferenças nas definições do IDE concorrem para as divergências existentes nas estatísticas disponíveis sobre investimento estrangeiro.
A inconsistência dos dados sobre os fluxos de saída e de entrada de investimento também resulta das atividades dos centros financeiros internacionais localizados além fronteiras. Os Estados Unidos, por exemplo, procuram distingüir a localização da firma que realizou o investimento da localização dos seus proprietários, isto é, do beneficiário final. Segundo o critério da localização da firma, em 2001 a entrada de investimento direto nos Estados Unidos, originados da Suíça, um centro financeiro mundial, foi de US$ 56,3 bilhões, enquanto que, pelo critério do beneficiário final, a entrada é quase nula, pois o investimento teve origem praticamente em terceiros países.