Existe concorrência entre o Brasil e a Irlanda pelos fluxos de investimentos
diretos externos dos países da Tríade – Estados Unidos, Europa e Japão.
As relações Brasil-Irlanda se inserem na estratégia, desenvolvida pelo
Itamaraty, de estreitar os vínculos que unem o Brasil à Europa para utilizar o
peso do continente europeu como base de equilíbrio para as negociações
internacionais brasileiras. O processo de negociação entre o Mercosul e a União
Européia é um exemplo dessa estratégia.
Presume-se que um acordo entre o Mercosul e a União Européia reforçaria o poder
de barganha do Brasil junto aos Estados Unidos nas negociações da ALCA. A União
Européia é a principal parceira comercial do Brasil e também a primeira fonte de
investimentos diretos no país. Há 30 anos a Irlanda é membro da União Européia,
na qual ocupa a presidência de turno num prazo que vai até o fim do primeiro
semestre de 2004.
Em 2003, a Irlanda investiu cerca de US$ 388 milhões no Brasil para aonde
procura expandir as suas exportações. Estimular o comércio bilateral e aumentar
o fluxo de investimento entre os dois países foram os objetivos da visita da
presidenta Mary MacAleese e do primeiro ministro Bertie Ahern, o qual demonstrou
a intenção de abrir uma embaixada em Brasília e um consulado em São Paulo, ainda
em 2004.
Tratando-se de projetos para estimular o fluxo de investimento, o primeiro
ministro Bertie Ahern, em entrevista na Agência Brasil (Íntegra), afirmou que
“há duas áreas em particular onde esses projetos podem acontecer. Há uma
importante área em que a Irlanda tem um grande número de empresas nacionais, que
é a área de tecnologia da informação. São empresas que operam mais
particularmente no ramo de negócios relacionados à Internet, sobretudo no
seguimento mais avançado de negócios pela Internet. Essas empresas hoje são
enormes exportadoras para a maior parte do mundo, para grandes regiões do mundo,
porém não para esta região do mundo, o que se apresenta naturalmente como uma
importante oportunidade de negócios. A segunda grande área de investimentos ou
projetos em perspectivas entre os dois países é na área da Educação. A Irlanda
possui uma série de empresas que operam no ramo educacional, não só na área de
treinamento ou capacitação qualificada, mas também na área de desenvolvimento de
programas de computador”.
Quanto ao comércio entre os dois países, vale notar que, em 2003, as exportações
brasileiras para a Irlanda somaram US$ 164,7 milhões, concentradas em aviões
(19,33%), madeira compensada (13,74%) minérios de alumínio (11,95%) e farelo de
soja (10,59%); enquanto que as importações brasileiras da Irlanda atingiram US$
223,5 milhões, destacando-se os compostos heterocíclicos (16,71%), as partes de
computadores (10,84%) e as máquinas automáticas para processamento de dados
(8,59%).