4 - A recepção pelo Brasil dos investimentos da Irlanda e os capitais brasileiros destinados à Irlanda

O domínio do setor industrial irlandês pelas multinacionais se reflete sobre o investimento direto irlandês no Brasil. Assim, a recepção brasileira do investimento irlandês origina-se, em parte, de empresas transnacionais que destinam para suas filiais brasileiras os recursos financeiros de filiais instaladas na Irlanda. São os empréstimos intercompanias. Entre essas transnacionais destacam-se a Crompton Corporation, a Apple Computer Inc., a De Beers, a Bristol Myers Squib e a Perfetti Van Melle.

Além disso, a política irlandesa de manter no país um centro financeiro internacional tem influenciado o investimento irlandês no Brasil. Ela concorreu, por exemplo, para a criação da Ericsson Financial, empresa formada na Irlanda para prover serviços financeiros às empresas da Ericsson localizadas no exterior. Em conseqüência, a filial brasileira da Ericsson vem obtendo substanciais recursos da Ericsson Financial.

Há, contudo, investimentos no Brasil de grupo acionário majoritariamente irlandês, como o Grupo Kerry, cuja filial Kerry do Brasil Ltda, fundada em 1998, em São Paulo, produz queijos em pó e aromatizantes lácteos, sistema de “coatings”, “savoury flavourings”, ingredientes lácteos funcionais, especialidades em pó à base de gordura e aditivos alimentícios. Fundado em 1972, na Irlanda, o Grupo Kerry é líder em ingredientes alimentícios no mercado da União Européia.

Segundo o Banco Central do Brasil, o estoque do investimento direto pela Irlanda no Brasil somava US$ 75,39 milhões, até 2000, concentrado no setor químico (48,29%). Mas o total de fluxos de investimento direto da Irlanda destinado ao Brasil aumentou nos últimos dois anos: passou de US$ 8,97 milhões, em 2001, para US$ 53,22 milhões, em 2002 (Tabela 3).

De outra parte, apenas em 2002, há registro pelo Banco Central do Brasil de investimento direto pelo Brasil na Irlanda, totalizando apenas US$ 5 milhões.
 


Tabela 4.0 - Brasil: recepção do fluxo de IDE de países selecionados em 2001 e 2002
(em US$ milhões)

PAÍS

2001

2002

Países Baixos (Holanda)

1.891,85

3.372,46

Estados Unidos

4.464,93

2.614,58

França

1.912,82

1.814,97

Cayman, Ilhas

1.755,07

1.554,46

Bermudas

606,86

1.468,78

Portugal

1.692,26

1.018,76

Luxemburgo

284,66

1.012,78

Canadá

441,1

989,35

Alemanha

1.047,46

628,29

Espanha

2.766,58

586,9

Japão

826,6

504,48

Ilhas Virgens (Britânicas)

911,91

500,45

Reino Unido

416,23

474,36

Itália

281,27

472,5

Suíça

181,78

347,36

Uruguai

180,62

237,46

Suécia

54,26

204,92

Bahamas, Ilhas

264,18

204,85

Panamá

132,99

146,41

Dinamarca

33,2

92,75

Argentina

56,77

88,47

Noruega

83,14

60,01

Irlanda

8,97

53,22

Chile

62,04

46,9

Bélgica

113,08

45,25

Áustria

67,02

34,51

México

61,1

24,4

Cingapura

15,91

20,49

Gibraltar

89,23

19,85

Antilhas Holandesas

95,09

19,03

Formosa (Taiwan)

12,31

13,41

Antigua e Barbuda

11,2

13,05

Hong Kong

33,01

12,35

Liechtenstein

61,92

11,61

China, República Popular

28,08

9,74

Israel

4,62

9,07

África do Sul

5,71

5,57

Coréia, República da

24,97

4,12

Canal, Ilhas do

3,15

4,04

Índia

3,38

4

Austrália

10,68

3,97

Finlândia

12,71

3,75

Venezuela

3,16

3,66

Emirados Árabes Unidos

0,03

0,78

Fonte:Banco Central do Brasil